Domingo, 3 de Setembro de 2006
Amigos (parte II)

Acho que não há ninguém que não queira amigos assim.

Acho até, que não há ninguém que não imagine que os amigos são assim, ou deviam ser assim. Também por isso, há tão pouca gente a achar que tem amigos e há tanta gente zangada a dizer que, afinal, os supostos amigos eram de Peniche, que aqueles em quem confiavam, pelos quais poriam as mãos no fogo e em relação aos quais acreditavam que havia elos viscerais e eternos, afinal: traíram, mentiram, desertaram ou abandonaram.

Diga-se de passagem, que ninguém se pergunta a si mesmo até que ponto e em que medida é amigo dos seus amigos.

Ninguém repara nas vezes que não teve tempo para corresponder aos pedidos do outro, nas vezes em que não respondeu à chamada porque estava no meio duma reunião importante. Afinal, se os outros são nossos amigos, percebem perfeitamente estas e outras "pequenas" coisas. Percebem que não podem incomodar, meter o nariz ou ter desejos ou interesses que contrariem os nossos. Se não for assim, bom, então é porque não são, de facto, amigos.

Na prática, transfere-se as fantasias de incondicionalidade que a vida se encarregou de ir desfazendo em relação à familia (que não se escolhe) para os amigos (que se julga escolher). No meio disto, esquece-se que a amizade é uma relação como outra qualquer! Que, por isso mesmo, precisa de ser alimentada e cuidada de interacções e participações activas. Precisa de empenhamento e provas de atenção, rituais de pertença e coesão, repetidos com firmeza e convicção.

Acreditar que os amigos de infância, da faculdade, da tropa, continuam amigos só porque um dia o foram, é como acreditar em contos de fadas.

 

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publicado por yuki às 22:45
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3 comentários:
De Anónimo a 7 de Setembro de 2006 às 13:27
"Amigos são familiares que cada um escolhe sozinho".

(Eustache Deschamps).

Acho que isto diz tudo!
De yuki a 11 de Setembro de 2006 às 23:49
Ai diz?! (:
De Anónimo a 12 de Setembro de 2006 às 11:10
Claro que diz! A amizade é a única coisa que não se pode impor, não se pode obrigar ninguém a gostar de outra pessoa. Trata-se de uma escolha individual, sim porque na realidade é uma escolha, nós escolhemos quem queremos para amigos, porque o ser amigo é um grau de parentesco, mas sem a obrigatoriedade de advir por inerência ou por afinidade.

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