Sábado, 2 de Dezembro de 2006
Tailândia

 

Foi a minha primeira viagem de avião.

Ásia, claro. Foi há 16 anos atrás... Queria muito ir a Macau, mas não havia lugares, vôos cheios que nem um ovo, decidi-me por Banquecoque (BKK).

Nos meus tempos de teenager via mta TV e na altura rodava mto o videoclip daquela música "One Night in Bangkok" do Murray Head, acreditem que teve mto peso para a decisão.

Baptismo de vôo, nervoso miudinho, mas a companhia perfeita, levei uma amiga de infância que era hospedeira na Air Atlantis (imaginem agora há qt tempo isto foi)!

A viagem fazia escala em Frankfurt, e nós decidimos ficar lá 3 dias. Matar saudades de Hoffheim, onde recordei dos meus tempos de Campo de Férias (onde fui de comboio - Interrail).

Hoffheim era uma aldeiazinha típica da Floresta Negra - linda!

A nossa missão no Campo era construir um lago para as sapinhas desovarem. Três semanas de trabalho árduo, porque tinhamos que estar na floresta às 6h da manhã, mas tinhamos a tarde toda por nossa conta, para passear, dormir, jogar ping pong, pregar partidas, ir à piscina da aldeia, enfim coisas de teenagers dos finais dos anos 80.

O regime era gírissimo, porque dos 21, ficavam sempre 2 com o Kitchen Duty Pleasure e por conseguinte nesse dia esses não iam à floresta mas ficavam com a tarefa de fazer as refeições e organizar a casa.

Qd calhou o dia de Portugal (eramos duas) resolvemos fazer Salada Russa com Atum (nem eu nem ela sabiamos cozinhar e mto menos para tanta gente), e lá nos safamos bem com a saladita. Claro que os Russos (na altura ainda una) disseram logo que pela terra deles nunca tinham ouvido falar naquela mixelânia, mas que estava aprovado (:

Bom, de lágrima no canto do olho, saimos de Hoffheim demos mais umas voltas em Frankfurt, aproveitamos a Feira de Natal na MarktPlatz onde todos anos por esta altura se bebe vinho quente, se anda de carrossel dos anos 20, se compra artesanato local e alusivo à época nas banquetazinhas à laia de feira medieval e se congela de frio, pq lá faz mesmo frio.

De volta ao aeroporto, rumo a BKK, chegamos umas 10h depois e uns 36ºC a mais.

Humidade impressionante, poluição atróz, 7 milhões de habitantes, trânsito non-stop 24h/dia, e uma sorte danada, pq sem sabermos, comemorava-se  o aniversário do Rei e era festa por tudo que era canto.

Ficamos uma semana, orçamento super reduzido, conhecemos a cidade e metemos o nariz em tudo que nos chamava a atenção.

Na altura achamos por bem, voltar sempre para o hotel até à meia-noite, já que convinha regressarmos com alguma estrutura cognitiva e óssea ao nosso país natal.

 Ficaram-me atravessados para ver: os combates de Thai-Boxing e outros antros que só mesmo arriscaria se não tivesse  visto tantos filmes.

Não faltamos aos rituais de colocar as folhinhas de ouro nas imagens de Buda; nem dar pancadinhas nuns sinos dum templo (q já não me lembro o nome) para dar muita sorte; nem a comprar rifas aos monges para ter uma boa sina; nem a andar de transportes públicos, onde nós suavamos que nem doidas e eles nem marcas na roupa!

Não conseguimos decifrar o estranho enigma do sorriso tailandês: será mesmo hospitalidade ou um problema crónico da população, genético talvez, dum tendão facial?

Seja como for, adoramos BKK!

Mais ainda os Tuc-Tuc, uma espécie de veiculos motorizados, tipo táxi conduzidos por um homem, super bem decorados e arejados e onde ao inciar cada viagem se tinha que regatear o preço - habituamo-nos no final do 1º dia!

Adoramos os templos, que coisa magnifica, sumptuosa, bem conservada e deleitamo-nos com o respeito que os próprios turistas tinham pelo culto dos tailandeses.

 Monges, vestidos de laranja e monjas (senão parece mongas) vestidas de branco, deambulavam serenamente por entre nós e davam uma cor e uma essência ao local que só nos restava ficar de boca aberta... e tirar fotos.

Os templos fazem um contraste enorme com o resto da cidade: suja, empoeirada, parca de decoração, mas plena em vida.

 Aí se faz tudo, passeia-se, corre-se para o autocarro, vende-se água, acepipes fritos em óleo de côco (o que dá um cheiro característico à cidade que juntamente com o CO2 só te enjoa nas primeiras 3 horas, dps habituas-te), almoça-se, janta-se e basta uma tigela de arroz ou outras iguarias e dois pauzinhos.

 Salvaram-nos a Pizza Hut e o MacDonald's que confesso nunca os gostei tanto de visitar. É giro comer pernocas de rãs e outras coisas que nem cheguei a saber bem o que eram, mas ao fim de dois dias tornas-te imperialista e alias-te à Coca-Cola e derivados. É inevitável (:

O nivel de vida era super acessivel. Pelo preço dum menu cá, lá comiamos uns 4!! E por falar em preço nem vos conto dos mercados nocturnos: o nosso delirio!!

Relógios de marca, sedas, peles, pedras preciosas, que encostam a um canto a Chinatown Novaiorquina.

Regateamos Rolexes, Tag Heuers, Lenços Chanel e Hermés, e até imagens de Budas (sentado, deitado, iluminado, de cócoras, etc), bem como os Cães Chineses Protectores, trouxemos de tudo! 

Sempre que nos perguntavam de onde eramos, tinhamos que dizer Macau para perceberem Portugal (na altura os portugueses ainda lá estavam). O problema é que começavam a falar mandarim connosco e lá tinhamos sempre que acabar por recorrer ao desenho (:

Impressionante é a capacidade que o Português tem, de estar em todo o lado. Então não é que encontramos uns amigos por lá num dos dias de passeio? É verdade!! Ainda fizemos umas quantas excursões juntos e foi bem divertido.

Uma delas saimos da cidade e fomos até 80km a norte visitar a antiga capital Ayutahia (antes da invasão da Birmânia, vizinhos nervosos estes).

Debaixo de terracota esconderam os seus tesouros (enormes Budas em OURO) para assim enganar o inimigo e desta forma, perservar o seu espólio tão valioso.

De tarde visitamos o Palácio de Verão do Rei (mais outra maravilha) e depois regressamos a BKK pelo rio Chao Phraya (acho que se escreve assim) abaixo, onde pudemos disfrutar de paisagens magnificas e outras nem tanto.  

 Chegadas ao hotel, dps das excursões, davamos sempre um pulinho na piscina e era tão estranho disfrutar do calor descomunal com uma árvore de Natal ao fundo e o jardim todo decorado com luzes e enfeites de Natal - não combina nada! (:

Outra excursão foi ao Mercado Flutuante a Damn-Saduak (tb não sei se é assim q se escreve), consta que é o maior da Ásia - nós acreditamos!

Realmente só visto, todo o comércio e a vida é feita sobre e na água do rio.

Chegamos de barcaça motorizada por entre vegetação que mais fazia lembrar o Platoon (filme), onde até a cor do rio era tal e qual. Qd digo vida feita na água, é mm. O rio tem uma importância extrema para estes habitantes: aí lavam a roupa, aí lavam os dentes, e por aí fora. Vivem em palhotas construídas em cima do rio separadas da água por estacas e a temperatura anual permite-lhes vestirem apenas umas T-Shirts, uns calçoes e pronto.

Depois da azáfama de barcos para cima e para baixo, do vende daqui para aquele e do outro para o outro, etc, fomos para um maravilhoso parque de Rosas, onde almoçamos mais umas pernocas de galinha que a meu ver eram as mesmas rãs... não tava mau.

 À tarde desfrutamos do folclore local, com uma mistura de espectaculo de música e danças tailandesas - LINDO - e uma coisa parecida com um combate de boxe tailandês, o tal que me ficou engasgado de ver, pq nos mercados nocturnos (onde existem casas de "má vida" que ladeiam as banquetas de venda) é à séria e nós só bisbilhotamos esgueiradas da rua. O suficiente para percebermos que eramos personna non grata se avançassemos mais um passo.

 Bom, depois disto fechamos com um passeio de elefante, giro para quem não tem vertigens (e não cheiram nada mal, como a Kathleen Turner nos faz querer no Indiana Jones II ou III).

Com muita pena ficamos de não ir às lindissimas e paradisíacas praias de Kosamui, das Ilhas Phi Phi, e a Chiang Mai no norte (onde vivem as mulheres "girafa" - as que usam aros em volta do pescoço conforme vão crescendo o que faz esticar o pescoço ao ponto de parecerem girafas. Se os tirarem, morrem).

 Ficou a promessa de lá voltar um dia para mais compras e para o disfrute destas praias... e das massagens!!

Mas muita coisa linda no mundo ainda há para ver e o t€mpo escasseia (:

Talvez um dia...

temas:
publicado por yuki às 01:11
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10 comentários:
De preconceitos a 2 de Dezembro de 2006 às 10:21
Foste cuidadosa ao referir "foi há 16 anos atrás..."
Pelo entusiasmo do texto, podia ter sido ontem ou mesmo... agora.
De yuki a 3 de Dezembro de 2006 às 01:42
Valem-me as fotos para ajudar ao enredo avivando a memória (:
De solcar a 5 de Dezembro de 2006 às 18:13
Isso parece ser a felicidade.
Luzinha que acendeste algures e continua a brilhar
(até superando tempestades)
De solcar a 5 de Dezembro de 2006 às 18:15
Isso parece ser felicidade.
Luzinha que acendeste algures e continua a brilhar
(até superando tempestades)
De preconceitos a 6 de Dezembro de 2006 às 10:27
Olha. Venho apenas pedir desculpa pela repetição.
Não é eco, nem gaguejo, mas possivelmente estou mesmo no outro lado, como já deves ter percebido pelo meu notyet (se visitaste).
De yuki a 6 de Dezembro de 2006 às 22:06
A repetição ajuda a reforçar a mensagem... (: Obgda por me aturar.

Acabei de visitar o notyet e fiquei apreensiva.
O Solcar que me foi dado a conhecer pelo meio desta sopa de letras que para aqui cozinhamos regularmente, não o consigo ver no outro lado.

Os pássaros não lêem blogs, fale com eles, eles hão-de sossegá-lo e pelo caminho descanse as mãos numa árvore.

Ou não serei eu tb uma do lado de lá? (;
De solcar a 8 de Dezembro de 2006 às 11:05
São duas questões importantes:
De que lado estamos a falar ?
Quem atura quem ?
E a questão mais importante ainda é que o teu REI AFONSO esteja feliz nos dominios do maravilhoso faz de conta que o Natal sempre acrescenta.
De yuki a 11 de Dezembro de 2006 às 22:09
Solcar,

Mto bem referido, são questões q não consigo comentar.

... a seguinte, pois essa, derreteu-me por completo (:
Mto obgda.
Que assim seja tb para os seus pequenos reis (não sei se tem rainhas) e para todos.

De empatia a 12 de Dezembro de 2006 às 18:58
As minhas rainhas serão efectivamente responsáveis pela minha imortalidade.
Não por isso e sim porque as amo, habitarão meu coração enquanto ele fizer toc.toc... e para além disso.
De solcar a 12 de Dezembro de 2006 às 19:19
O texto anterior é meu e não tem a ver com o blog empatia. Estou num PC que não é meu. Sorry.

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